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UM SARUÊ NA MINHA ESCOLA
Saulo Piva Romero

HOUVE UM TEMPO EM QUE UM SARUÊ FOI VISTO EM UMA ESCOLA DO LITORAL DE SÃO PAULO.
ELE VIVIA TRANQUILAMENTE NAS MATAS DO LITORAL ATÉ O DIA EM QUE COMEÇOU A SER PERSEGUIDO POR TODOS OS ANIMAIS CARNÍVOROS QUE TAMBÉM COMPARTILHAVAM O MESMO AMBIENTE QUE ELE.
TIMBU JÁ ESTAVA CANSADO DE SE ESCONDER, POIS, A SUA CAMINHAVA ERA LENTA E COM POUCA AGILIDADE, TUDO POR CONTA DE UM ATROPELAMENTO QUE HAVIA SOFRIDO A ALGUNS ANOS.
MAS, TIMBU TINHA FACILIDADE PARA SUBIR NAS ÁRVORES QUANDO SE SENTIA AMEAÇADO POR SEUS PERSEGUIDORES QUE SÓ QUERIAM SE ALIMENTAR DA SUA CARNE MACIA.
ENTÃO, TIMBU VIVIA SE ESCONDENDO EM TOCAS OU NOS GALHOS DAS ÁRVORES.
E COMO SE NÃO BASTASSE ISSO, ELA AINDA TINHA QUE ENFRENTAR OS ÍNDIOS DA REGIÃO QUE ADORAVAM A SUA PELE PARA USAR COMO ENFEITE.
ASSIM, ELE PEDIU A AJUDA DE SEU PRIMO, O GAMBÁ QUE O AJUDOU A ESCAPAR DOS FEROZES ANIMAIS CARNÍVOROS E DOS ÍNDIOS GUERREIROS.
CERTO DIA, O SARUÊ JÁ NÃO AGUENTANDO MAIS ESSA VIDA DE ESCONDE- ESCONDE, SENTOU-SE NA BEIRA DE UM RIACHO E COMEÇOU A CHORAR.
DEPOIS DE MUITO CHORAR, TIMBU ENXUGOU AS LÁGRIMAS QUE TEIMAVAM EM ROLAR PELO SEU ROSTO, ELE DECIDIU ABANDONAR A MATA E TENTAR VIVER NA CIDADE.
ELE CAMINHOU MUITOS DIAS ATÉ CHEGAR NA CIDADE E A PRIMEIRA COISA QUE FEZ FOI REVIRAR O LIXO EM BUSCA DE ALGUM ALIMENTO PARA SACIAR A SUA FOME.
DEPOIS DE SACIAR A FOME, TIMBU SENTIU QUE ERA A HORA DE PROCURAR UM LUGAR ACONCHEGANTE E QUENTINHO PARA SE ABRIGAR DO FRIO E TAMBÉM PARA DESCANSAR DA CANSATIVA VIAGEM QUE ELE HAVIA FEITO DA ZONA DA MATA ATÉ A CIDADE.
NO CAMINHO, O SARUÊ AVISTOU UM GRANDE PRÉDIO MUITO ANTIGO QUE PARA ELE, PARECIA MUITO CONFORTÁVEL E ACONCHEGANTE.
ENTÃO, MAIS QUE DEPRESSA, TIMBU ENTROU NO PRÉDIO QUE ERA UMA ESCOLA E FEZ O RECONHECIMENTO DO LOCAL.
ELE SE SENTIU MUITO BEM NAS INSTALAÇÕES DAQUELA ESCOLA E PASSOU A VISITAR A ESCOLA FREQUENTEMENTE PARA TIRAR UM COCHILO OU PARA PROCURAR RESTOS DE ALIMENTOS PARA SACIAR A SUA FOME.
ELE FICAVA ESCONDIDO NOS FORROS DAS SALAS, MAS, SEUS LUGARES PREFERIDOS O FORRO DA SALA DE LEITURA E DO REFEITÓRIO ONDE ERA SERVIDA A MERENDA DOS ALUNOS.
COM O TEMPO, O VELHO TIMBU FOI FICANDO MAIS ATREVIDO E PASSOU A SER VISTO PELOS ALUNOS E PROFESSORES DA ESCOLA E QUANDO ISSO ACONTECIA, ERA UM CORRE-CORRE, POIS, A PRESENÇA DO SARUÊ COM SEUS OLHOS QUE BRILHAVAM E SEU CORPO CHEIRANDO MAL PORQUE ELE SE REVIRAVA NO LIXO. OS ALUNOS E PROFESSORES SE ASSUSTAVAM COM A FEIURA DE TIMBU E QUANDO ELE SE APROXIMAVA, ERA UMA GRITARIA ENSURDECEDORA. ENTÃO, O POBRE SARUÊ QUE HAVIA FUGIDO DA MATA POR CAUSA DA PERSEGUIÇÃO DOS ANIMAIS CARNÍVOROS E DOS ÍNDIOS GUERREIROS, ENFRENTAVA OUTRA VEZ UMA PERSEGUIÇÃO, AGORA DOS ALUNOS QUE DE VASSOURAS NAS MÃOS TENTAVAM CUTUCAR TIMBU DE TODAS AS MANEIRAS E ELE PARA SALVAR A SUA PELE SOLTAVA O SEU GÁS MALCHEIROSO. E AO CONTRÁRIO DO QUE ACONTECIA NA MATA, ELE SEMPRE SE DAVA MUITO BEM NESSA BATALHA CONTRA OS ALUNOS. DEPOIS, COMO PIRRAÇA AINDA DEIXAVA O AMBIENTE MALCHEIROSO DEIXANDO SEU RASTRO POR ONDE PASSAVA.
TIMBU, O SARUÊ QUE SE AVENTUROU A VIVER NAQUELA ESCOLA DURANTE MUITO TEMPO, FOI PERSEGUIDO E TEMIDO POR SER FEIOSO E EXALAR SEU CHEIRINHO DESAGRADÁVEL E AGUENTANDO VASSOURADAS NO SEU LOMBO A CADA VEZ QUE SAÍA DO SEU ESCONDERIJO.
. DEPOIS, DESSA AVENTURA DO SARUÊ NAQUELA ESCOLA, ELE DESAPARECEU E NUNCA MAIS NINGUÉM OUVIU FALAR DELE. MAS, COM CERTEZA PARA OS PROFESSORES E ALUNOS, ELE SE TORNOU UMA LENDA.
MAS, O TIO-AVÔ QUE TRABALHA NAQUELA ESCOLA ATÉ HOJE, QUE FICOU FRENTE A FRENTE COM TIMBU, O SARUÊ, TEM A CERTEZA DE QUE ELE NÃO MORREU, POIS, UMA LENDA NUNCA MORRE. DE CERTO, ELE VOLTOU PARA A MATA CONTINUANDO A SE LAMENTAR PARA O PRIMO GAMBÁ.
E FOI EXATAMENTE ISSO QUE ACONTECEU LÁ NA MATA.
O GAMBÁ TENTANDO ANIMAR O VELHO SARUÊ PARA QUE NÃO DESISTISSE DA VIDA.
- POR QUÊ TODOS VIVEM FUGINDO DA MINHA PRESENÇA?
O GAMBÁ RIU E DISSE:
- NÃO FIQUE TRISTE, MEU PRIMO! SE LHE SERVE DE CONSOLO. EU TAMBÉM CHEIRO MAL E SOLTO UM GÁS FEDORENTO QUANDO ME SINTO AMEAÇADO.
E O VELHO E CANSADO SARUÊ RESPONDEU:
- É MESMO PRIMO! EU NÃO HAVIA PENSADO POR ESSE LADO. É ESSE CHEIRO DESAGRADÁVEL QUE SOLTAMOS MOMENTANEAMENTE É QUE SALVA AS NOSSAS VIDAS.
E O GAMBÁ DISSE:
TÁ VENDO, MEU PRIMO! CADA UM SE DEFENDE COM O DOM QUE POSSUI.
ENTÃO, LEVANTE ESSA CABEÇA, SACODE A POEIRA E DA A VOLTA POR CIMA PORQUE NEM TUDO ESTÁ PERDIDO. HÁ SEMPRE UMA SOLUÇÃO PARA TODOS OS NOSSOS PROBLEMAS.


Biografia:
Saulo Piva Romero, professor de Língua Portuguesa e Poeta, 46 anos. Nasceu em São Paulo no dia 9 de março de 1972. Começou a escrever poesias aos 18 anos. É formado em Letras pelas Faculdades Associadas do Ipiranga com Licenciatura Plena em Língua Portuguesa, Inglesa e Literatura.Em 2000 publicou seu primeiro livro Vida, amor e esperança.
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