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Fim sem esperança
Miguel Proença de Araújo

Resumo:
Apenas uma historia curta que conta sobre um policial que esteve envolvido com carteis de drogas e guerras.

     É engraçado que um dia sua vida está ótima, você tem alguém que te ama, uma casa, um bom trabalho e no próximo dia a vida lhe acerta um soco na barriga, dizendo que nada dura para sempre e então você perde tudo.
     Toda aquela porcaria começou naquele dia especifico, por culpa daqueles malditos, já era terceira vez naquela semana, eu não aguentava mais ficar pedindo para os vizinhos abaixar o som, eram em torno das 5 da manhã, estava frio e chovendo com uma forte intensidade.
Eu sentei ao canto da cama, naquele apartamento pequeno e fedido, na qual dividia com uma família de barata, que não pagavam aluguel ainda, com uma dor de cabeça insuportável, um dos motivos dessa dor de cabeça era o som o outro era da minha ressaca quase que rotineira, então me levantei, ou pelo menos tentei, e acabei caindo e dormindo no chão mesmo.
     Antigamente as pessoas me consideravam um exemplo a ser seguido, mas quanto mais velho eu ficava, mais perigoso eu me tornava.
     Acho que havia se passado uma hora quando o som aumentou e acabou me despertando, então dessa vez fiz o meu melhor para ficar de pé e caminhei em direção á cozinha para pegar um copo, o problema é que não havia copos limpos, pois estavam todos sujos com álcool de alguma bebida de algum dia anterior, eu peguei o copo que parecia menos sujo e passei uma água nele para tirar o que havia sobrado, enchi com água e depois fui à busca do comprimido para a dor de cabeça, porém a cada passo que dava, eu sentia como se o som aumentasse ainda mais, após encontrar a cartela de comprimido percebi que estava vazia então pela janela do meu apartamento vi a farmácia logo à frente.
Sai do meu apartamento só com uma regata e com um samba canção, iria usar o elevador caso aquele prédio tivesse em boas condições, mas infelizmente tive que descer uns dez andares pela a escada, queria muito que alguém aparecesse e me desse um tiro na cabeça, sentia que a escada não tinha fim.
     Na farmácia pedi duas cartelas para dor de cabeça, tomei um dos comprimidos e voltei pro meu quarto agora um pouco mais relaxado, quando pisei no prédio lembrei porque estava acordado, o maldito volume alto, eu estava prestes á ter um ataque de fúria, tentei voltar a dormir, porém o som estava muito alto.
     Dias frios nunca me incomodará tanto, acho que me recordo melhor daquela semana devido ao frio intenso.
     Com dor de cabeça estava pronto e disposto para que alguém atirasse em mim, mas depois que passou a única que estava pronto era para matar alguém, claro estava me controlando ao máximo, fui até a fonte de todo esse som, o que me impressionava é que eu era o único com idade acima dos 30 naquele edifício, por isso mais ninguém tinha feito queixa do barulho.
     Parecia um daqueles velhos ranzinza que não podia ver os jovens se divertindo que já tinha que ir lá chamar a policia por queixa de barulho.
     Quando eu toquei a campainha um jovem, provavelmente viciado com olheiras maior que... Bem elas eram grandes, daí ele abriu a porta e disse:
     -O que você quer coroa?
Era isso mesmo que eu escutei? Ele me chamou de coroa? Tenho certeza que tínhamos alguns anos de diferença e eu era aparentemente o mais velho, mas, coroa? Esses fedelhos me irritavam a cada momento que passava e eu sabia que se continuasse ali logo acabaria atirando em alguém, então de forma mais educada possível pedi para que diminuíssem o som.
     - Você me escuta garoto, você deve se achar o rei do mundo, certo? Com todo esse pessoal, e com toda essa droga, então faça a si próprio um favor e abaixa a porcaria do som, se eu tiver que vim aqui mais uma vez eu prometo que não iremos trocar muitas palavras, fui claro?
     Ele engoliu em seco e ficou me encarando como se estivesse tentando processar as palavras, talvez ele realmente estivesse, pois com todas essas drogas seria uma surpresa se não tivesse, mas então após uma pausa entre a minha fala, o viciado abriu a boca:
     -Ok chefia você que manda. Desculpe-me pelo o incomodo senhor.
     Pronto tudo o que eu queria ouvir naquela madrugada, lentamente ele fechou a porta e diminui o volume da música, voltei para o meu apartamento com um sorriso de orelha a orelha e no exato momento que deitei na minha cama, não conseguia acreditar, eles aumentaram o som, até hoje me pergunto, eles fizeram porque queriam morrer ou porque achavam legal ficarem irritando os outros, na época eu não quis saber, abri o meu armário e peguei meu revolver, totalmente carregado com seis tiros. Sempre tive a preferência por revolveres não estava relacionado a desempenho, somente porque achava mais atraente aos olhos e também mais intimidador para quem estive na frente do cano.
     Pela segunda vez naquela noite toquei a campainha, e o mesmo fedelho abriu a porta e com um sorriso amarelo ele teve a ousadia de dizer:
     - Desculpa coroa, mas eu não consegui te escutar direto naquela hora.
     Ele foi fechando a porta e rindo quando coloquei a pé para que a porta não fechasse e convidei a mim mesmo para a festa, bem eu e meu revolver, ao entrar já coloquei o revolver na boca do garoto e perguntei:
     -De quem é essa festa?
     O rapaz assustado então apontou para o centro da sala, onde tinha esse sujeito de pijama, parecia pesar uma tonelada de tão gordo, sentado no sofá e cheirando um pó me encarava e tentava destravar um fuzil, sem hesitar puxei o gatilho na garganta do viciado a minha frente e já mirei para o suposto "dono da festa", que me encarando perguntou:
     -Qual é você não vai atirar em mim, vai? Olha eu abaixo o som se você quiser.
     E antes mesmo de ele abrir a sua boca para falar mais mentira eu novamente puxei o gatilho, acertando o tiro bem no meio de seus olhos, a força do tiro foi o suficiente para fazê-lo ele ir de costa em direção ao chão junto ao sofá, as pessoas ficaram paralisadas, todas com medo de mim, com exceção de dois brutamontes que mal cabiam naquele local, um estava a minha esquerda e outro a direita, parecia que eu conhecia eles, mas não lembrava onde, provavelmente de algum crime cometido, não tinha tempo de perguntar se eles estavam trabalhando ou o que, após anos como policial você consegue diferenciar o bom do mal, ou talvez não, talvez a minha distinção de bondade e maldade estava enganada, mas não tinha tempo para ficar pensando sobre, então atirei contra um dos brutamontes, ele caiu e quando me virei para atirar no outro percebi que ele vinha em minha direção, mau tive tempo de reflexo, não negarei, a força dele era no mínimo subumana, pois foi capaz de fazer eu atravessar uma parede.
     Mesmo sendo uns vinte anos mais velhos do que na época quando comecei eu não me sentia assim, mas algumas vezes os meus reflexos falhavam.
     Estava no chão sangrando e me arrastando para tentar alcançar o revolver, que tinha perdido durante esse breve vôo, quando a distancia entre o revolver e eu era pequena comecei a levitar? Com o a perca de sangue talvez estivesse delirando, foi então que percebi que era o capanga me erguendo para me ajudar a fazer mais um vôo por outra parede, ao mínimo achei que fosse fazer isso, porem ele entrou no apartamento correndo comigo e me arremessou pela janela, pode ter sido sorte, ou burrice, mas o local da minha queda era uma piscina que estava cheia.
     Eu sabia que era só uma questão de tempo para o brutamonte descer do apartamento e acabar o serviço, então sai da piscina o mais rápido possível e fui em direção ao telefone pedir ajuda.
     -Aqui é o detetive Jason Mann e tem um um-oito-sete em progresso necessito de apoio.
     Entre terminar algo sozinho e pedir ajuda dos meus supostamente parceiros, é claro que preferia terminar sozinho, mas sem meu revolver eu não iria muito longe
     Após alguns minutos as viaturas chegaram e eu tinha até me esquecido, por motivos óbvios, que estava apenas de roupas intimas e meu melhor amigo, Ryan Walker, foi o primeiro policial que vi naquela madrugada, ele já saiu da viatura rindo e com o celular na mão, todos iriam rir no dia seguinte de ver Jason com suas roupas intimas na rua, pelo lado bom, eu não estava imitando um frango para chamar atenção de um criminoso.
     -Jason! Não se esquece de rir para câmera.
     Talvez eu pudesse ter sorrido se não tivesse acabado de estourar os miolos de algum viciado, os outros policias se mobilizaram para o prédio, o capanga havia escapado e eu acabado com um dos maiores traficantes da região, sempre me falavam que a lei era falha, eu nunca acreditava, porem como tudo na vida existem exceções essa foi uma delas.
     No dia seguinte me chamaram para dar o meu depoimento e depois fui até a sala do chefe para receber a noticia.
     Somente me juntei à força para teoricamente acabar com os maus feitores, aqueles que acabam com a vida de gente inocente, mas no fundo eu sabia, que tudo o que fazia era para saciar minha sede, talvez não naquela época, porem sabia.
     Ao entrar já percebi que a noticia não seria boa, pois ele estava em pé e olhando para janela enquanto tomava um café preto, Morgan era o policial mais honesto que já conheci durante os meus anos na policia, muitas vezes tentaram suborná-lo para manter o bico calado, ele sempre usou a diplomacia para exterminar gangues e trafico, mas eu prefiro o meu jeito, por nós nunca se dávamos muito bem.
     Ao perceber que eu estava na sala ele sentou e fez um gesto com a mão para eu fazer o mesmo, após sentar ele respirou fundo.
     -Jason! - Gritou o chefe - Você estragou tudo, nós os tínhamos em nossas mãos, foram varias operações e investigações, para você chegar lá e atirar em todos eles! Eu sabia que havia algo cheirando estranho quando você decidiu se mudar para lá, mas não pensei que você iria dar de policia durão e matar todos eles.
     - Posso me defender?- Eu perguntei.
      - Vá em frente Jason, invente uma desculpa.
     - Eles estavam com um som muito alto em um horário proibido.
     - Então isso lhe da à razão para sair atirando em todos?
     - Não, porém eu pedi educadamente para que eles diminuíssem o volume, mas eles negaram o meu pedido, houve um certo desentendimento, ele puxou o fuzil e apenas me auto defendi.
     -Jason, na cena do crime foi encontrado apenas o seu revolver e a munição do mesmo.
     Sei que estava mentindo sobre a parte de ele ter puxado o fuzil primeiro, mas não encontraram a arma, apenas a minha, já percebi no mesmo no momento cheiro de armação
     -Tem algo a mais para adicionar?
     - Não senhor.
     -Então, seu julgamento será na terça, até lá pelas as leis do estado você esta proibido de portar uma arma e esta afastada do serviço policial.
     Era isso que alguém queria, não sei quem, mas durante anos acabei com operações de drogas, gangues e muito mais, é mais que claro que me queiram fora das ruas, só precisavam de uma desculpa e eu precisava saber quem queria a minha cabeça.
     A parte mais difícil de ser eu é que muitos acordariam melhor se ganhassem a noticia de que eu estava morto e todos têm uma razão. Quando estava no elevador, Ryan entrou e perguntou se estava com fome, normalmente eu não consigo ter apetite após estourar o pescoço de alguém, mas pela forma como ele falava tinha certeza que era para me contar algo, então disse que estava.
     -Bom, me encontre no mesmo lugar dentro de 30 minutos.
     O mesmo lugar era uma lanchonete a umas duas quadras da delegacia, nós sempre nos reuníamos lá para falar sobre os casos, dessa vez não foi diferente.
     Ao chegar lá procurei a mesa mais que estivesse perto de mais pessoas possíveis, pois assim o som das conversas dos outros seria o suficiente para abafar a nossa, sentei e pedi o mesmo prato que peço durante os meus anos como policial, ovo frito com bacon.
     Alguns minutos depois Ryan chegou e sentou na cadeira a minha frente, ele sempre pedia uma torta de maça, porém dessa vez ele pediu apenas um café.
     -Jason, um dos corpos foi identificado, era um dos irmãos Rodriguez, parece que o fantasma do passado veio te assombrar.
     Há dez anos a família Rodriguez era a maior comerciante de drogas da cidade, o líder era o Franco Rodriguez, grande amigo meu, estudávamos juntos e nós eramos vizinhos, quando entrei para a força e descobri que ele comandava o maior cartel da cidade, eu sabia que era só uma questão de tempo para que ele recebesse a pena dele, ou não, porque metade dos políticos estavam em suas mãos, então eu fiz algo que me deu o apelido de "Incendiador", esse apelido foi dado, pois eu queimei cada edifício dele e um dia nós se enfrentamos cara a cara, o meu revolver estava apontado para ele, mas como amigo eu dei uma oportunidade para ele, pedi para que parasse com as drogas, ele aceitou, forjei a morte dele para que pudesse fugir, minha carreira começou a ter destaque com isso, "Jason Mann o policia que destruiu um cartel sozinho", muitos traficantes começaram a me temer, pois afinal eu havia matado Franco Rodriguez e por ironia do destino o meu caminho e da família Rodriguez se entrelaçou novamente.
     - Obrigado pela a informação Ryan, foi conversar com um dos irmãos e talvez conseguir alguma coisa.
     -Tome cuidado Jason, você não é mais o mesmo desde...
Eu sabia que ele uma hora ou outra iria trazer ela para me culpar, nove meses atrás minha esposa, Karen, foi assassinada por dois viciados, dias após o enterro eles apareceram na minha casa para pedir desculpas falaram que foi culpa das drogas, desde então nunca mais alguém viu esses drogados, talvez eu realmente não seja a mesma pessoa, acho que ninguém continua com a sanidade após ver alguém que você ama morrer em seus braços.
     - O que, você acha que eu mudei para lá para matar aqueles drogados, para tentar de alguma forma me vingar?
     - Não é isso
     -Então o que é?
     - É que desde a morte da Karen você tem agido como se não tivesse medo da morte
     Ryan era jovem, mas era esperto, um ótimo detetive e amigo, o único problema é que não sabia quando fechar a boca.
     -Talvez eu não tenha medo da morte, pelo o simples motivo de não ter nada a perder.
     -Você acha que a Karen iria apoiar esse seu desejo suicida? A última coisa que ela iria querer era ver você ser morto por algum viciado.
     -Ryan, eu agradeço sua preocupação, mas não ouse usar o nome da Karen novamente e eu sei o que estou fazendo - Dito isso, me levantei e fui em direção á porta, quando Ryan gritou da mesa - Jason, não esqueça que qualquer coisa que você fazer agora não tem a permissão da policia.
     Por isso que a primeira coisa que fiz após sair da lanchonete foi falar com Vladmir, ele era um fuzileiro da União soviética, mas quando veio para a America ele se tornou um comerciante de arma, o difícil era encontrar-lo, já que vivia sempre fugindo se não era dos policiais era dos criminosos, então entrei em contato com um ex-detento que era amigo de Vlad, algumas horas depois eu recebi uma ligação.
     -Ora, ora, ora, o detetive Mann precisando da minha ajuda, é realmente uma grande honra.
     -Vamos Vlad eu não tenho muito tempo, preciso de uma arma.
     - Está bem, eu consigo uma para você, porem ira custar o triplo do preço
     -O que? Vamos seu russo safado, apenas me venda pelo preço normal, ou no mínimo vinte por cento a mais do preço.
     -Desculpa Jason, mas são tempos difíceis e eu preciso sustentar minha familia.
     -Você mora sozinho!
     -Na verdade tem uns ratos aqui e confio neles mais que qualquer outra pessoa, então triplo do preço ou nada feito.
     Não pensava que o russo iria me sacanear, mas eu realmente necessitava de uma arma, pois uma pessoa com muitos inimigos tem sempre que se proteger.
     -Está feito, temos um trato.
     -Ótimo, irei conseguir a arma assim que você depositar o dinheiro, os detalhes da conta enviarão para o seu celular, e mais uma coisa, custa mais duzentos para eu ficar de bico calado.
     - A seu... - Antes mesmo de eu terminar ele desligou na minha cara.
     Alguns segundos depois recebi uma mensagem indicado o procedimento de pagamento, após fazer o pagamento recebi outra mensagem dizendo onde estava a arma.
     Ao chegar ao local senti que algo estava estranho, estava muito quieto, o local era um estacionamento ao lado de um ferro-velho abandonado, entrei no estacionamento e vi uma caixa vermelha, nenhuma pouco discreta, me aproximei e peguei e fui ai que percebi outra armação, a caixa estava leve demais, ao abrir eu encontrei apenas uma folha que estava escrito" удачи"que era lido como udachi e significava "boa sorte", quando me virei para a saída do estacionamento chegaram mais três sujeitos, eles se espantaram ao me ver.
     -Ei pessoal, Vladmir mandou vocês aqui?
     -Nós viemos até aqui pelas armas.
     -Eu também.
     Deveria ter escolhido palavras melhores, pois eles entenderam que eu estava ali para matar eles e pegar as armas, quando um dos três, pelo visto era o mais novo, puxou uma nove milímetros e mirou em minha direção.
     Meu coração acelerou e meu cérebro gritou "Corra" me virei para a esquerda e corri, corri o mais rápido em toda minha vida, enquanto corria o garoto atirava, um dos tiros raspou o meu braço, mas consegui chegar ao ferro velho.
     Escondi-me em um dos carro e escutava os três discutindo.
     -Cara, por que você atirou?
     -Se eu não atirasse, ele iria atirar!
     -Com certeza, por isso que ele saiu correndo, não é?
     -Bem...
     - Eu estou fora, não quero ser preso por homicídio.
     Escutei um deles correndo, sabe lá o que esses três iriam fazer se tivessem com armas.
     - Você que está armado e fez essa cagada, vá atrás dele agora e resolve isso!
     - Mas ele já pode ter fugido para longe.
     -Duvido muito, mas isso não é meu problema, pois eu também estou fora.
     Então outro saiu correndo mas não por muito tempo, pois o rapaz que havia atirado em mim atirou também no seu comparsa e depois foi caminhando em direção ao ferro velho.
     Eu podia ter o deixado viver, mas sabia que uma escoria como ele se continuasse vivo iria acabar com muito mais vidas, peguei um pedaço de metal enferrujado e esperei por um momento certo, quando ficou distraído com um carro eu lhe acertei na cabeça, sabia que com essa pancada ele não estaria morto então virei ele e peguei a pistola dele e coloquei em seu peito e puxei o gatilho o sangue se expandia pelo chão, junto á chuva, procurei no corpo dele por munição e parti.
     Estava na hora de interrogar um dos irmãos Rodriguez, um estava morto, outro fugindo de mim, então por eliminação sobrava somente mais um, o mais velho, Ricardo.
     Fiquei surpreendido ao tocar a campainha dele e ele me atender, ele me convidou para dentro, serviu uma cerveja e começou nossa conversa.
     -Eu não sei se você andou prestando atenção no noticiário ou alguém já veio aqui mas seu irmão está morto...
     Ele deu um sorriso e tomou um gole da cerveja que estava bem gelada, nem precisava de uma cerveja gelada para um dia frio como aquele, mas eu não negaria álcool grátis.
     -Sim, eu sei sobre meu irmão, eu também sei que foi você que matou ele.
     Se ele já sabia disso significava que eu iria levar chumbo a qualquer instante, então lentamente coloquei a cerveja na mesa, e segurei a pistola por baixo.
     -Então você sabe... - Perguntei enquanto destrava a pistola.
     -Claro, mas se você acha que eu irei te matar por causa dele você este muito enganado, ele sabia o que estava fazendo quando se meteu com traficantes.
     Podia facilmente ser um truque para me pegar de surpresa, não seria a primeira vez que isso acontece.
     -Eu posso não te querer morto, mas sei quem quer o meu irmão.
     -Nico? Ele está aqui?
     -Ele é idiota, mas sabia que você apareceria aqui, ele veio de manha e me falou o que tinha acontecido e lhe dei um copo d'água e falei que não era problema meu. Muitas pessoas vivem por suas famílias, eu não, quero dizer, minha família é composta por viciados e ladrões, a única coisa que quero é me afastar deles, então se tiver alguma coisa a mais que possa ajudar?
     - Você sabe para onde ele foi?
     - Felizmente não.
     - Está bem então, obrigado pela a cerveja.
     -Obrigado pela visita.
     Uma pessoa a menos para me preocupar em ter que vigiar, eu havia avisado a família Rodriguez para não se meter com as drogas, por que então os dois irmãos Rodriguez fizeram?
     Precisava achar pistas e rápido, arregacei a manga do meu paletó para ver que horas eram, o relógio marcava 20:40, eu tinha seis dias para conseguir provas que livrassem o meu pescoço.
     Fui até a casa do Ryan, caminhando na chuva que estava mais fraca que na noite anterior. Chegando no bairro que ele morava avistei a porta dele na qual estava arrombada, tirei a nove milímetros do coldre e me aproximei pelos os fundos, a porta dos fundos também estava aberta.
     Dentro da casa conseguia escutar alguém choramingando no andar acima, então subi as escadas e ficava cuidando a minha retaguarda, ao abrir a porta do quarto de Ryan, tive uma sensação de déjà vu, estava Ryan com a namorada morta nos braços, foi a primeira vez que vi ele chorar, ele me viu.
     -Quem fez isso? - Perguntou ele, chorando.
     -Eu... Eu não sei.
     Teria sido as mesmas pessoas que armaram para mim? Parece que o cenário se repetia por aonde eu ia, policial com esposa morta nos braço.
     -O que aconteceu? - Pergunta idiota que fiz.
     -Eu estava chegando em casa quando escutei um disparo, a porta da frente estava trancada, eu tive que arrombá-la quando eu subi as escadas eu encontrei ela...
     Os assassinos devem ter usado a porta do fundo.
     -Ryan, eu irei atrás deles.
     -E do que isso adiantará?
     Não podia simplesmente sair dali e ir atrás dos responsáveis então esperei junto ao meu parceiro até o reforço chegar, mais uma vez fui chamado pro depoimento.
     Novamente fui olhar as horas, o relógio marcava meia noite em ponto, agora so tinha mais 5 dias até o meu julgamento, quando o pior aconteceu.
     Na volta para a minha casa recebi uma ligação de Morgan ele pediu para que eu voltasse ao departamento, a voz dele estava tremula, nunca tinha ouvido ele assim, mas era uma semana com muitas novidades e ela estava apenas começando.
     Ao chegar ao departamento, três policiais me algemaram e mais porcaria tinha acontecido, dessa vez era uma que podia acabar com a minha vida, após me algemarem os policias me levaram para uma viatura, tudo na vida tem uma primeira vez, como essa na qual eu sentei onde normalmente os outros sentam, como viciados e bandidos.
     -Pessoal, o meu julgamento é somente daqui cinco dias. Vocês estão levando o cara errado, eu sou um dos bonzinhos.
     Nenhum deles abriu a boca, após uns minutos de viagem percebi que estávamos saindo da cidade.
     -Ei amigos, acho que vocês se perderam, o tribunal fica para o outro lado.
     Já estava começando a suar, principalmente quando eles estacionaram em um terreno baldio, havia mais um carro no terreno, que estava com os faróis apontado para o nosso carro, então um dos policiais fez um sinal e um sujeito saiu do outro carro, não conseguia acreditar, era o maldito Morgan, ele iria me matar e me enterrar.
     Os dois policiais abriram a minha porta e me jogaram no chão e ficaram com o cano da arma apontado na minha nuca, Morgan se aproximou, com aquele casaco amarelo ridículo e com sorriso mais amarelo ainda.
     -Não se preocupe Jason, logo tudo isso estará acabado.
     - Que porcaria é essa Morgan? Eu sei que ferrei com aquela operação, mas você não precisa fazer nada drástico!
     -Ei rapazes aqui esta parte de vocês.
     Então o chefe entregou dois montes de dinheiros para os policiais que logo em seguida partiram deixando um rastro de poeira, na cena estava eu, Morgan e o carro preto dele.
     Quando ele destravou sua pistola e colocou na minha cabeça, praticamente já podia sentir o doce gosto do céu ou o amargo do inferno.
     -São apenas negócios Jason.
     -Quantos ele te ofereceram?
     -Eles ofereceram a minha vida e da minha família.Acredite é tão difícil para mim quanto é para você.
     Ele deu a volta e ficou atrás de mim.
     -Se você é realmente homem, atire olhando nos meus olhos! -Gritei.
     Então escutei o barulho do disparo, mas na senti nada, há não ser as algemas soltas e quentes.
     -Não entendi Morgan.
     -Eu sei do que você é capaz detetive Mann, mas eu quero que você prometa que ira acabar com todos eles.
     - Mas é claro que eu vou!
     -Prometa
     -Eu prometo!
     O chefe sabia que eu era capaz de trazer o inferno para a terra e também sabia que eu era mais útil vivo do que com um buraco no peito ou na cabeça, eu sempre respeitei Morgan pelo o tipo de homem que ele era e agora eu estava em divida com ele.
     -Quem devo ir atrás?
     -Todos eles.
     -Todos eles quem?
     -A porcaria do cartel inteiro da cidade, todas as gangues e traficantes pagaram para ver você morto, dez milhões por a sua cabeça, eu apenas comprei tempo para você, por isso peço que você leve minha família para um local seguro antes de começar o seu trabalho.
     Era obvio que após Morgan desse a noticia de que eu tinha escapado ele seria morto. Eu sabia disso e ele também.
     Nós apertamos a mão e ele atirou na própria perna e me entregou a pistola dele.
     -Jason, não confie em ninguém, nem mesmo em Ryan.
     Nem mesmo Ryan? Será que ele se viraria contra mim por dez milhões? A verdade é dura, mas homens são fáceis de corromper, principalmente quando não se tem pelo o que viver, então não me surpreenderia se no próximo encontro com meu amigo ele estivesse com uma arma apontada para mim.
     Deixei Morgan no terreno e comecei outra corrida contra o tempo, não muito longe do terreno encontrei um carro estacionado, por sorte o vidro estava aberto então só destravei a porta e fiz ligação direta.
     Primeira parada era a casa do chefe, durante o percurso recebi uma ligação do meu velho parceiro Ryan.
     -Jason!- Ele ficou surpreso por eu ter atendido ao telefone - Jason onde você está parceiro?
     - Na estrada...
     -Eu preciso de um amigo agora se você poder aparecer no bar próximo a minha casa, eu gostaria de ter uma conversa - Dessa vez não sabia se ele estava nervoso por dez milhões ou por a namorada morta.
     - Está bem parceiro logo estarei ai!
     Mas antes tinha que levar a família do chefe para ao lugar seguro e parecia que mais alguém também a família do chefe, porém não para um lugar seguro, no quintal do Morgan tinha três carro estacionado, um eu sei que era da esposa dele, os outros dois eram SUVs pretas e estavam com os motores quentes.
     Parei alguns metros a frente da casa, peguei a pistola do chefe e fui investigar a cena, ao abrir a porta já recebi um cartão de bem vindo em um formato de um punho, como já estava bem acordado devido a adrenalina de quase ter sido morto, com reflexo consegui me agachar e atirei no atacante, era um russo, usava corrente de ouro, um paletó com camisa V e gel no restante de cabelo, no mesmo instante mais russos se mobilizaram então eu recuei para fora da casa.
     A maior desvantagem que eu tinha enfrentado em toda minha vida, quatro russos armados com fuzis soviéticos, quando eles começaram a atirar eu pulei para o chão e esperei que algum deles fosse idiota para pensar que eu estava morto, de fato os quatros eram idiotas, pois eles foram ver se eu estava realmente morto e pelo o tanto de tiro eu tinha certeza que a munição deles tinha acabado, então quando eles se aproximaram eu me virei e puxei o gatilho quatro vezes, cada tiro era uma morte.
     Depois de ter certeza que eles estavam mortos entrei na casa para procurar pela a família do chefe, eles estavam na cozinha amarrados e com fita adesiva na boca, eu os desamarrei e levei-os até a camionete.
     Havia somente um lugar que conhecia onde ninguém iria encontrá-lo, um velho abrigo anti-bomba na qual eu e Franco costumávamos usar para brincar na infância, levei comida o suficiente por um mês inteiro e entreguei todo o dinheiro que tinha.
     Estava na hora de encontrar o meu amigo Ryan no bar, no estacionamento do bar estava somente o carro dele, estacionei o meu e recarreguei a pistola com a munição que peguei de um dos russos.
     O bar fedia mais que eu, isso que eu estava ha três dias sem tomar banho e lá estava ele, sentado em um dos bancos tomando um copo de uísque.
     - Você demorou...
     -É tive que lidar com um problema de insetos.
     -Coincidência eu também.
     Ryan se virou para mim com a mão na pistola.
     -Por que você fez isso?
     - Fiz o que?
     -O teste de criminalista achou provas que levaram você como suspeito.
     Teria ele matado a própria namorada para conseguir uma desculpa para me matar e pegar os dez milhões ou armaram para que eu ele ficássemos de lados opostos?
     -Ryan, se você que eu mataria ela então vai lá atire! Mas antes pense, por que eu apareceria na cena do crime? E você sabe quantas pessoas me querem morto. Há algumas horas atrás Morgan estava prestes a atirar em mim, ele explicou que o todos fizeram um tipo de vaquinha para me matar.
     - E ele deixou você fugir?
     Que droga, ele realmente queria a recompensa, pois caso contrário ele não estaria puxando a pistola do coldre, eu juro que foi o momento mais lento da minha vida é como se cada segundo passasse a cada um minuto, podia ver a alma dele corrompida pelo o ódio e a ganância, mas eu fiz a promessa para o Morgan de que iria fazer todos pagarem, sem exceções e como um anjo da morte eu atirei contra o meu parceiro e amigo, lentamente seu corpo cai do banco do bar, derrubando o copo de uísque.
     Realmente eu não era mais o mesmo. O Incendiador estava de volta e a cidade estava prestes a sofrer as minhas chamas.
     Entrei em contato com Vladmir, falei que gostaria de encontrá-lo pessoalmente, ele era um ex-soldado soviético e passou a idéia na cabeça dele que podia acabar comigo, então ele aceitou o meu pedido e nós nos encontramos em chafariz.
     -É uma honra encontrar você novamente detetive Jason, ou devo dizer, ex-detetive...
     Sem delongas eu pressionei a pistola contra a barriga dele e atirei, a pistola estava com um silenciador que havia adquirido do meu amigo morto.
     -Seu filho da mãe!- Resmungou ele.
     -Me de nomes e locais e talvez eu não te mate.
     -Se eu lhe der, eles irão me matar. - Pressionei a arma contra o ferimento da bala, ele gemeu - Está bem eu falo, mas não conheço todos os chefes, pelo o qual ouvi são três, eu somente conheço o russo que é um velho amigo meu.
     - E onde posso encontrá-lo?
     Se eu não pressionasse o ferimento ele com certeza não iria dar mais informações.
     - Que droga, pegue o meu celular e envie uma mensagem para ele, não importa o local ele ira aparecer.
     -Vocês parecem muito amigos.
     -Eu e ele éramos. - Antes de ele terminar me intrometi e perguntei.
     -Mais alguma informação?
     -Sim, todos que você conhece e ama irá pagar por os seus pecados!
     Eu não tinha mais ninguém além da família do Morgan.
     -Então é bom você rezar.
     Virei-me e fui em direção ao meu carro, quando o idiota tentou me atirar pelas as costas, mas o ferimento dele acabou afetando a sua mira, pois o tiro acertou o capo do carro, rapidamente rodei o meu corpo para a direção dele e com três tiros acabei com a vida do imprestável.
     Antes de ir atrás de qualquer criminoso, como qualquer ser vivo, eu precisava me alimentar, mas sem dinheiro fica difícil, então voltei pro abrigo para pegar um pouco de dinheiro. Mas não havia ninguém lá, ninguém sabia a localização daquele lugar além de mim e Franco.
     No abrigo eu apenas encontrei as comida e o dinheiro, sem sinal de agressividade, provavelmente a família de Morgan deve ter fugido, não sabia se deveria ir atrás deles ou apenas esperar pelo o melhor.
     Até que Morgan me ligou.
     -Jason?
              Eu escutava choro de pessoas
     -Esta tudo bem?
     -Você prometeu - Logo escutei o som de um disparo e o barulho do celular caindo, depois alguém pegou.
     Uma risada maligna era o que eu ouvia naquele minuto.
     -Se você ter ferido algum deles, eu juro que irei acabar com a sua raça!
     Então ele deu uma risada maior ainda.
     -Igual ao que você prometeu ao seu chefe?
     E desligou o celular na minha cara.
     Minha raiva era tanto que tinha perdido até o apetite, não tinha mais motivos para eu continuar o meu caminho de ceifeiro de cartel, o que me restava naquele momento era apenas ódio.
     Saquei o celular que tinha pegado do Vladmir e liguei para um dos criminosos, pedi para que me encontrasse em um restaurante, era um restaurante italiano , ao chegar no local fiquei esperando no banheiro até que ele chegasse, ao receber uma mensagem dele perguntando onde estava, mandei outra dizendo que estava no banheiro, pois o único lugar que podia matá-lo sem os guardas dele seria no banheiro.     
     Quando entrou um russo, sabia que era ele, ou pelo menos teria que ser, então eu caminhei até a pia para fingir que estava lavando a mão e para ter certeza de ele eram quem eu procurava, quando ele começou a investigar o banheiro puxei a pistola com silenciador do meu coldre e chamei a atenção do individuo.
     -Você deve se o detetive que tem causado tantos problemas, Jason certo?
     -Sim, eu mesmo, me diga onde estão e quem são os outros cabeças que eu não mato você.
     -Eu ouvi falar sobre suas historias e duvido que me deixara sair daqui respirando, também sei que não ira me matar até conseguir sua informação, mas eu por outro lado se te matar além de acabar com todos problemas que tem causado ainda ganho um bônus de 7 milhões.
     -Parece que você tem razão.
     Um ponto sem saída, no entanto já que ele não iria me dar a informação não havia razão para deixá-lo viver, e por culpa da minha raiva descontrolada no abrigo eu acabei esquecendo de recarregar a pistola, o que quase custou a minha vida, pois na hora que puxei o gatilho nada aconteceu, o russo riu e puxou a arma dele à vista disso fui em correndo em direção dele para que pudesse desarmá-lo .
     Pela falta de informação sobre meu inimigo, resultei levando a maior surra da vida, o adversário era um antigo lutador de boxe famoso da Rússia, filho do maior traficante de lá, tempos depois descobri que o pai dele tinha vindo para a America, pois estava sendo caçado no país dele, aqui ele durou alguns meses, o suficiente para construir um império de drogas e armas, assim sendo alguém também sem nada a perder ou que estava prestes a receber uma quantia de dinheiro matou ele, agora era o filho dele, Dimitri, que comandava o funcionamento da máfia russa.
     Cada soco que ele me acertava era como um projétil, ele era rápido e forte, até que ele me ergueu pelo o colarinho e me jogou no espelho, um dos guardas entrou no banheiro.
     - Você está bem chefe?
     - Sim, apenas lidando com uma praga, ao sair feche a porta.
     Aproveitei essa ocasião e peguei um pedaço quebrado do espelho, segurei a mão nas costas e quando ele me agarrou novamente pelo o colarinho toquei o fragmento no pescoço dele, repetidamente, mas ele tinha muita fibra, pois ainda conseguiu me jogar do outro lado do banheiro e tirar o vidro do pescoço, quase ele iria me segurar só que ele caiu.
     Não tinha muito tempo até que os guardas aparecessem então peguei a munição do Dimitri e seu celular, depois fugi pela janela.
     Entrei no meu carro para recuperar o fôlego, um dos cabeças da máfia tinha caído, faltavam somente dois, enquanto pensava no meu próximo movimento os meus ferimentos doíam, por isso fui procurar ajuda, se eu fosse ao hospital as chances de sair de lá vivo era zero, porém não tinha ninguém para recorrer, então tive que recorrer as minhas próprias habilidades medicas, fui até uma farmácia comprar uns analgésicos, outros remédios e também uns esparadrapos.
     Nunca fui bom com ferimentos, mas dessa fez não tinha escolha, os remédios fizeram o trabalho deles enquanto eu me virava com os esparadrapos, olhei o meu reflexo no retrovisor, meu suor fedia muito e minha barba estava quase maior que meu cabelo, depois da morte de Karen eu parei de cuidar da minha aparência, parecia um morador de rua, se eu fosse acabar com toda a máfia na cidade eu iria precisar estar bem para isso, por tanto eu segui a estrada a procura de um hotel, de preferência que fosse um mais barato, no caminho parei em alguns lugares para fazer umas compras.
     Após alguns quilômetros encontrei um hotel meia boca, me hospedei, custava vinte cinco a diária, tinha escolhas para dois quartos o 20 e 22, disse que não me importava e me deram o vinte dois, o quarto era pequeno tinha uma cama e um banheiro.
     Tomei uma ducha, a água era fria e era um dia frio, mas permaneci no chuveiro por dez longos minutos, depois tirei a barba e cortei o cabelo com uma tesoura que tinha comprado na mesma noite.
     Ao limpar o rosto mal podia me reconhecer era como se tivesse rejuvenescido pelo menos uns dez anos, após a recuperar uns anos de vida aparentemente configurei o celular para despertar ás oito da manhã e dormi um sono profundo.
     Se você mata o tanto de pessoas como eu matei você nunca mais consegue ter um sonho normal, tudo o que você sonha são pesadelos, é como se todos que você matou viessem te pegar, eu sempre soube que algum dia iria pagar pelo o que eu fiz, mas primeiro a escoria do mundo iria pagar pelo o que eles fizeram.
     Pela manhã escutei passos no corredor, vesti o terno novo que havia comprado no dia anterior, e os passos pararam e alguém bateu na porta, lentamente me aproximei e olhei por baixo, tinha pelo menos três pessoas, ao lado de fora do quarto, abandonei o quarto e escalei pela janela, tive que pular e era uma queda de sete metros.
     O carro, que tinha roubado do encontro com Morgan, estava com os pneus furados então caminhei em uma velocidade que não chamasse a atenção, três quadras depois peguei um ônibus que me levaria até o centro, em um das paradas, quatro homens asiáticos, de terno e com tom ameaçador entraram no ônibus, eles ficaram em pé, pois o ônibus estava lotado, eu estava sentado, o tempo todo me encaravam, mas mesmo que não fosse o centro já planejava sair na próxima parada, então quando o ônibus parou e abriu a porta eu corri e eles vieram atrás de mim.
      Dois estavam armado com submetralhadora, um com uma pistola e outro estava desarmado, não atiram em nenhum momento apenas me perseguiam, até que fiquei sem fôlego e tive que enfrentá-los .
     Não tinha muita munição restante, portanto não podia desperdiçar, aguardei até que eles ficassem em uma distancia segura de atirar sem errar, quando o qual estava levando a pistola foi puxar o gatilho eu atirei primeiro, me agachei atrás de uma lixeira e atirei nos outros dois armados, que tentaram atirar em mim, faltava somente o que estava desarmado, para ser justo e guardei minha arma no coldre.
     Ficamos circulando, imaginando uma arena, um esperava o outro dar o primeiro passo, demorou um pouco, mas o asiático não se aguentou e veio na voadora, o pé dele acertou em cheio o meu peito, que me fez cair no chão, ele fez um gesto com a mão para que me erguesse e a luta continuasse, diferente do Dimitri, que era boxeador, esse oponente não tinha muita força, porém sua agilidade compensava, ele desviava de todos os meu soco.
     Ele se cansou de lutar comigo e me deu uma mata leão, eu tentava acertar a barriga dele com cotoveladas porem eram inúteis, então saquei minha arma do coldre e atirei na cabeça dele.
     Dei uma bicuda na barriga dele para ver se estava morto e sentei um pouco para pegar um ar, quando um carro veio descendo a rua com uma velocidade alta, pelo os meus conhecimentos adquiridos nos últimos dias eu chutava que estavam lá por causa de um premio pela minha cabeça valia dez milhões, não fiquei esperando para ver o que eles queriam, novamente estava correndo de tiroteio, memórias da guerra vieram á tona naquele instante.
     Era um dia muito quente e o tenente foi até o nosso batalhão para informamos que iríamos voltar para casa, mas eu e Franco éramos uns dos melhores soldados que ele já havia encontrado e sabia que nós éramos também um pouco sociopatas, então após informar o batalhão ele teve um conversa privada comigo e Franco.
     -Eu sei que vocês gostam daqui, mas a guerra acabou nós estamos voltando para casa.
     -Mas nós não temos nada em casa. - Disse eu.
     -Você talvez sim, porem Franco recebeu as cartas da mãe dele. Não me interpretem mal, eu adoraria que vocês ficassem, mas responsabilidades existem e vocês devem lembra delas.
     -Realmente senhor, minha mãe esta doente e poderia morrer a qualquer momento, não quero ficar sabendo que ela morreu sem eu ter visto ela.
     -Então se junte ao batalhão, pois você esta indo para casa.
     Franco e o tenente apertaram as mãos, o meu amigo pegou a sacola dele e foi se reunir com o batalhão.
     -E eu senhor?
     -Se você quiser ficar talvez eu ainda tenha uns trabalhos para você, trabalhos extra-oficias, é claro.
     -O que você quer dizer com isso?
     -O nosso presidente ordenou a retirada dos soldados porque estão fazendo uma trégua, porem eu e você estiveram no campo de batalha, sabemos que trégua não serve para nada. Preciso da sua ajuda para acabar com os inimigos da liberdade.
     Poderia ser patriota ou não, mas tudo que me importava era que mais gente iria morrer e eu conseguiria saciar a minha sede.
     -Se caso eu aceite ficar e fazer tais missões, se eu for pego significa que você dirá que eu agi por conta própria?
     -Sim, mas você é Jason Mann e irei lhe dizer algo, durante todo o meu tempo como militar nunca vi soldado tão bem preparado para essa situação como você, um soldado que mata a sangue frio e não tem pesadelos é realmente algo incomparável e impagável.
     Não me recordo tanto de matar alguém a sangue frio, talvez quando eu puxava o gatilho eu não sentia remorso, era somente na hora de dormir que lembrava o rosto de quem eu matei, pensava nas famílias, isso acaba com alma de qualquer um.
     Dois dias depois o tenente mandou eu em direção a um local onde ficava abrigado os batalhões inimigos, eles dormiam em trincheiras então foi fácil dizimá-los , levei comigo o monte de combustível, pois era inflamável e fui espalhando por toda a parte de fora da trincheira, deixando apenas uma saída, me posicionei na saída e incendiei o combustível, escutava gritos de pessoas queimando, os que tentavam fugir e fuzilava, me sentia um maldito herói, mas no final da conta eu era nada mais que um assassino.
     Após dizimar todo um batalhão voltei para o tenente que estava se embebedando com qualquer álcool que ele encontrava, eu estava lá qual seria o próximo alvo, mas ele me ofereceu as bebidas e acabei ficando por lá mesmo.
     No outro dia estava com uma ressaca enorme, mas o meu senso de "justiça" dizia mais alto e fui até o tenente pedir mais missões, dessa vez era uma represa e eu também iria acompanhado, não gostava muito dessa idéia, eles iriam me atrasar demais, mas ordens são ordens.
     Eles tiveram a idéia de aproveitamos que era madrugada e como era um tempo de trégua todos estariam dormindo, então seria fácil matá-los afogado com a água da represa. Já estava plantando o ultimo explosivo quando vi um dos soldados indo em direção a vila. Antes de explodir a represa fui ver o que ele estava fazendo, acho que em toda minha vida, aquela cena era a única que eu gostaria de esquecer, percebi o que estávamos fazendo, não era uma luta pela a liberdade, não estávamos acabando com uma vila cheia de inimigos, nós estávamos matando qualquer um que não concordassem com os nossos ideais, eram apenas crianças e mulheres, nunca tinha sentido tanta raiva como naquele momento, comecei a me perguntar se eu estava lutando por falsos ideais ou se aquilo sequer era uma luta, então engatei meu fuzil e usei um pente inteiro no maldito, acabei acordando toda a vila que veio em minha direção.
     Foi só no momento que percebi quem era os meus inimigos, não eram os supostamente inimigos da liberdade, eles eram apenas camponeses querendo defender a sua vida e família, os meus verdadeiros inimigos eram os que estavam explodindo a represa naquele instante. Quase morri afogado, porem o meu ódio acho que foi o que me salvou, ou talvez alguém que estava por perto e tinha honra, nunca soube ao certo.
     Os meus amigos agora eram os meus alvos, o tenente me mandou para fazer a missão que os soldados dele não iriam conseguir e no momento que pudessem iriam me matar e jogar o meu corpo em qualquer lugar e dizer que estava agindo por conta própria, o meu trunfo é que não sabiam que eu estava vivo, por isso retornei ao quartel, aguardei a alguns metros para esperar a noite chegar.
     A noite chegou e era hora para o acerto de contas, o primeiro que fui atrás foi John, afinal ele que detonou a represa, o desgraçado estava em sono pesado, como podia dormir tranquilo sabendo que afogou uma vila cheia de crianças e inocentes, puxei a minha faca que estava segura na minha perna e cortei a garganta dele enquanto colocava minha mão na boca dele para que não gritasse, ele ainda estava com umas bombas, as plantei todas ao redor do acampamento.
     Ou os outros soldados tinham desistido de ser apenas um fantoche na mão do tenente ou eles foram mortos, de qualquer forma eu nunca encontrei eles ou escutei algo sobre eles, então arrombei a porta da sala do tenente, ele estava com uma granada na mão.
     -Se você der mais um passo eu tiro o pino e todos nós vamos para os ares.
     Eu estava pronto para morrer, não tinha nada a perder, mas e ele?
     -Você armou para mim! - Gritei enquanto engatilhava o meu fuzil.
     -Você seria um herói Jason, você seria um maldito herói! Entenda que pequenos sacrifícios são necessários para que o bem maior possa triunfar.
     -E eu seria esse sacrifício para esse "bem maior"? Eu e um monte de inocentes!
     -Eles eram tão culpados quanto qualquer criminoso!
     -Por quê? Por que não quiseram seguir sua filosofia de liberdade? Ou por que não queriam viver como você vive?
     -Liberdade? Você acha que estamos aqui lutando pela liberdade Jason? O que o mundo ganha com liberdade? Nós estamos aqui lutando pela a segurança!
     Talvez ele acreditasse no que estava falando mas eu já estava de saco cheio então puxei o gatilho, a arma estava no modo rajada, o modo rajada permite atira três projeteis em uma só puxada de gatilho, assim economizando tiro e melhorando a precisão, os três tiros acertaram o tenente que caiu no chão rindo.
     -Eu e você Jason, nos não somos tão diferentes, mas pelo menos eu morri com os meus ideais, quanto a você, você sequer tem algum ideal para morrer?
     -Você talvez esteja certo, não somos tão diferentes, mas eu não disfarço com ideais o motivo de eu fazer o que eu faço, eu admito que sinto algo bom quando eu mato, mas somente quando eu mato alguém que eu acredite que deva morrer.
     -Então no final das contas somos apenas cães de guerra, sempre procurando um tiroteio, procurando por alguma briga que não é nossa, então como seu tenente, você poderia me dar uma morte rápida?
     Simplesmente poderia puxar o gatilho e acabar com o sofrimento dele, pelos os velhos tempos, mas ele era um mal feitor e deveria pagar na mesma moeda todos os maus que ele causou.
     -Você não deu uma morte rápida para aqueles do vilarejo.
     -Sim ,eu entendo. - Ele olhou para baixo e sorriu mais uma vez, daí puxou o pino da granada, eu pulei para o lado de fora da sala, enquanto toda a sala se tornava apenas meros pedaços de madeira e DNA do tenente.
     Ele sabia o que iria fazer, alguns minutos depois mais tropas do exercito chegaram e encontram eu e um acampamento com varias pessoas mortas, tentei explicar o meu lado da historia, porem eles foram avisado que um soldado rebelde estava matando tudo e todos, eles me prenderam.
     Por quarto longos anos fique na pior prisão do mundo, uma prisão construída por varias das nações de primeiro mundo em segredo da população, a sua localização é desconhecida por muitos, o local ficava em um deserto, era um edifício de quatro andares cercado por dezenas de quilômetros de areia, e então tem um muro de dez metros que era fortemente vigiado, a cada duas vezes na semana um avião passava para largar suprimentos para os prisioneiros, os detentos eram compostos apenas pelos os piores dos piores, toda a escoria do mundo você podia encontrar lá, muitos morriam desnutridos, pois quem chegava primeiro aos suprimentos podia, ou não, ser quem conseguiria se alimentar, normalmente quem chegava primeiro iria morrer logo depois, para sobreviver lá dentro era necessário amigos e um mineral que praticamente servia como moeda naquele local, ninguém conseguia fugir, havia rumores de haver algumas falhas no muro que permitia a escalar, mas ninguém sobreviveu o suficiente no deserto para ir e volta, ou se tinha ninguém quis retornar.
     Fiz a minha fama no ringue de luta, o problema de uma prisão cheia de assassinos é que eles são assassinos então dormir de olho aberto era o recomendável, as lutas eram até a morte quem ganhava a luta levava um pacote de ração e uma garrafa d'água, como eu não estava muito a fim de ser esfaqueado enquanto dormia, eu distribuía como presente para os detentos mais poderosos de lá, assim estaria salvo.
     No quarto ano naquele inferno, um dos meus "amigos", Rei era como o chamavam, conseguiu um telefone, ele só deixou pessoas de confiança usar, por sorte eu era uma delas, contatei meu velho amigo Franco, ele ficou surpreendido, pois fui dado como morto em ação, eu pedi um resgate, ele disse que iria fazer o que fosse preciso para me trazer de volta.
     Durante meses eu, o Rei e mais outros detentos planejamos nossa escapatória, improvisamos algumas armas e coisas como cordas e arpões. No tempo certo iniciamos uma rebelião na prisão, colocando fogo nos colchões, assim seria mais fácil encobrir a nossa escapatória, um dos detentos era um cientista louco, com a nossa ajuda ele desenvolveu um tipo de jet-ski de areia, levou algumas horas para chegar ao muro, fomos até o local onde o rumor dizia ter as falhas, os rumores eram verdadeiros.
     Escalamos o muro, tivemos sorte de que os guardas estavam se preocupando com a rebelião, em um dos telefonemas Franco disse que estaria nos esperando do lado de fora. Nós descemos por uma corda e do lado de fora não tinha ninguém apenas mais deserto, Rei ficou irritado e me agarrou pelo o pescoço e me colocou contra o muro.
     -Você disse que estariam nos esperando aqui!
     -Alguém vai aparecer eu juro.
     Foi então que os barulhos do motor do helicóptero foram escutados, era um helicóptero disfarçado que nos levaria para longe dali. No ar mesmo a porta do helicóptero foi aberta e os holofotes miraram em nós, seria realmente um helicóptero disfarçado? Quando eles começaram a atirar eu corri, todos os detentos foram mortos e então o helicóptero pousou, Franco apareceu acenando para mim.
     Entrei no helicóptero e decolamos dali, o vôo da prisão até o aeroporto demoraria um bom tempo, mas precisei falar.
     -O que você estava na cabeça Franco? Atirar em mim!
     -Ei! Eu nem atirei em você, quer culpar alguém culpe a Karen.
     Foi ali que a conheci, o amor da minha vida, com um rifle de atirador que minutos atrás estava apontado para a minha cabeça, foi amor a primeira vista, eu podia sentir, ou talvez fosse o resultado de ficar em uma prisão por quatro anos.
     -Desculpe, mas quem é você?
     -Karen, a nova integrante da família Rodriguez.
     -Como assim?
     -Assim como você, minha mãe trouxe mais um degenerado para dentro da minha casa.
     Era árduo de admitir, mas durante os meus primeiros onze anos eu vivi em um orfanato e por sorte fui adotado pela a família de Franco, que me colocaram nos caminhos das drogas. Fui adotado porque Franco era o meu único amigo na escola e ele contou para os pais dele que eu era órfão, então eles fizeram esse ato de caridade. Não vou mentir eles me criaram bem, com exceção do mundo das drogas é claro, mas aprendi da maneira mais difícil como o mundo realmente era e é.
     -Então trouxe o que pedi? - Como eu estava morto então iria precisar de um novo documento para voltar para a America.
     -Mas é claro, aqui está o seu passaporte.
     Eu peguei e já fui checar o nome novo que me deram.
     - Você esta de brincadeira? Jason Mann? Você deixou ainda o meu primeiro nome?
     -Mas é claro, para não perder o charme.
     -E por que Mann?
     -É um sobrenome alemão bastante usado.
     -Claro, porque de longe você consegue saber que eu sou alemão!
     -Você talvez não, mas seu pai sim.
     Meu pai? O meu velho? Que me deixou no orfanato, esse mesmo, eu nem lembrava sequer de como ele se parecia.
     -O que você sabe sobre ele?
     -Eu sei que o sobrenome dele é o mesmo que o seu.
     - E daí?
     -Você sabe por que ele te "abandonou"?
     -Sei lá! Talvez porque ele era um alcoólatra ou talvez não queria um filho.
     -Você gostaria disso né, poder colocar todos os seus problemas na culpa do seu pai né? Mas lamento te desapontar, só que ele não te abandonou, não entendo porque nunca te contaram, mas seu pai era policial, ele foi morto quando você tinha uns três anos.
     -E minha mãe?
     -Ela faleceu dando a luz para você, seu ingrato.
     Odiava os meus pais porque não sabia o motivo de eles terem me abandonado quando criança, mas quando soube da verdade senti um pouco de tristeza.
     Aproveitei a viagem de helicóptero para conhecer a nova integrante da família Rodriguez, ela era do tipo dura por fora, mas quando você conseguia se tornar intimo dela você descobria alguém doce, com um passado pior que o meu.
     No aeroporto tivemos nenhum problema com a segurança, durante o vôo de volta para a America, Franco me atualizou as informações. A família Rodriguez era o maior cartel da cidade onde nasci, Franco sabia que eu não gostava disso, por isso que ele não informou a família dele que eu estava vivo, os únicos que sabiam sobre meu estado era ele e Karen.
     Quando chegamos na America era como um novo começo, tudo o que queria era uma nova vida, por isso convenci a Karen a desistir do cartel, começamos as nossas vidas do zero, Franco ficou feliz pelas as noticias, ele me deu uma certa quantia de dinheiro para que pudesse começar algo.
     Com o dinheiro compramos um pequeno apartamento e Karen abriu uma loja para ela, enquanto isso eu estava pesquisando sobre meu pai, aquele que procura por consequência acaba encontrando. Meu pai foi morto enquanto estava em uma operação policial para acabar com o cartel, o cartel dos Rodriguez. Como meu antigo parceiro Ryan mencionou, parecia que eu e a família Rodriguez realmente tínhamos um selo com o destino, foi então que decidi caçá-los por o que fizeram contra mim, comecei o meu caminho como policial, soava meio hipócrita, matar aqueles que me sustentaram, mas provavelmente eu teria feito o mesmo caso eles não tivessem matado o meu pai, escolhas podem criar infinitas realidades.
     Relembrar da vida normalmente acontece quando a pessoa está prestes a morrer, mas eu não iria morrer ali naquela rua correndo de um carro, ainda tinha que fazer os vermes pagar pelo o que fizeram com Morgan e a família dele.
     Em certo momento de vantagem, consegui escapar dos meus atiradores, como eu não sabia quem era que estava no carro os únicos que eu podia ir atrás era da máfia asiática, eu precisava de um plano, ou pelo menos, algo que me levasse até eles.
     Era um caminho sem saída, poucas esperanças era o que me restava, estava ferido fisicamente e talvez mentalmente, ainda para melhorar, a chuva havia voltado. Não conseguiria acabar com o mundo do crime se estivesse com um resfriado e a melhor forma de se aquecer é com nada mais e nada menos que com álcool.
     Por isso parti para o primeiro bar que pude achar, virei copo atrás de copo. Um policial sem seu distintivo é apenas mais um cidadão, era isso que os Rodriguez costumavam me dizer e também a força, mas não eu, eu não precisava de um distintivo para fazer algo, foi diante disso que me tornei o mais temido policial da cidade, era de mim que os criminosos tinham medo, não de um diplomata ou vigilante, mas eu, Jason Mann, o policial que esteve no inferno e viu o diabo e cuspiu na cara dele. Fiquei pensando nisso enquanto tomava todas as bebidas, me sentia invencível, até que do nada senti uma pancada na cabeça e estava tudo escuro.
     Acordei-me com um banho de água fria e um monge gritando, acho que era mandarim, o local onde me encontrava se parecia com um local onde samurai lutavam, eu sabia do nome, mas o álcool estava atrapalhando as minhas idéias.
     Dois brutamontes ,ambos usavam óculos escuro, um era careca e outro tinha um cabelo longo, bem clichê dos filmes dos anos 80, onde o herói estava preso e teria que sair lutando com dezenas de capangas para salvar a sua donzela. O problema era que o herói estava bêbado demais para sequer saber o que estava acontecendo, muito menos para lutar com alguém e faltava também a parte da donzela. Continuando com a historia, eles me arrastaram pelo o tatame, durante a metade do percurso eu passava vomitando, me senti realmente mal por isso, porque alguém teria que limpar depois, mas na hora a única coisa que me preocupava era não apanhar enquanto estava bêbado.
     Me arrastaram até essa sala onde tinha um senhor, parecia outro clichê, quero dizer, ele parecia aqueles velhos sábios que ensinavam as crianças a lutar, ele estava sentado em uma posição, comumente usada por orientais, ele se servia de chá e tomava lentamente, arrumou um pouco para mim, eu pensava que era veneno então tomei, pois melhor morrer envenenado do que apanhando até a morte, após o primeiro gole o meu corpo começou a sentir os efeitos. Vomitei no chão todo, sentia o álcool todo saindo do meu corpo.
     -Mas o que diabos é isso?- Perguntei nervoso.
     -Essa é o mais novo tipo de droga, mas não se preocupe não é como as drogas que você conhece, essa droga de fato foi desenvolvida para curar vícios e limpar organismos, você pode nos agradecer depois.
     Agradecer? Eu queria, mas apenas depois de socá-lo naqueles dentes, ele parecia tão sábio e ao mesmo tempo isso era irritante, deve ser porque era a primeira vez que um inimigo meu estava mostrando "compaixão".
     -Eu ouvi sobre a sua historia, senhor Mann, o grande policial que acabou com o cartel dos Rodriguez, tão implacável que muitos perguntam se o detetive Mann é realmente homem. Mas eu sei sobre a sua verdadeira historia, sobre a historia do seu pai. Você é apenas uma vitima dessa sociedade quebrada, você não passava nada mais do que apenas uma criança assustada.
     -Você me arrastou até aqui para uma conversa de terapia emocional? O que você quer?
     -Quero ajudar.
     -E eu sou um diplomata ditador.
     -Senhor Mann.
     -Me chame de Jason, pelo amor de Deus
     -Senhor Jason, acredite em mim, uma aliança entre eu e você poderia acabar com o mundo do crime.
     -Acabar com o mundo do crime? Mas você faz parte dele!
     -Eu costumava fazer, até perder meu filho para as drogas, drogas que eu mesmo desenvolvi, passei um bom tempo da minha vida culpando a mim mesmo e a sociedade, mas no fundo sabia que foi erro meu, foi então que decidi parar de desenvolver drogas que trouxesse o mesmo sofrimento que tive, comecei a desenvolver drogas farmacêuticas, drogas que ajudasse a sociedade a voltar para os seus eixos. Eu sei que você, assim como eu, odeia as drogas e o que elas representam, como eu disse eu conheço sua historia.
     Ele me tinha em suas mãos, ele sabia que não passava de uma criança que foi abandonada e que perdi a Karen por causa das drogas. A verdade é que os dois viciados, eram amigos dela e foram até em casa se drogar, a droga mexeu com a cabeça deles fez eles terem alucinações, um deles estava armado. Se esse suposto sábio tivesse uma solução para acabar com o sofrimento que a droga estava trazendo para o mundo então eu estaria cem por cento disposto em ajudá-lo.
     As lembranças de Karen e da minha infância começaram a vim a tona, me senti indefeso e solitário como nunca havia me sentindo antes, fechei os meus olhos e vi aquela criança.
     A criança estava sozinha em casa, chorando pois já havia pasado da hora do pai ter chego, mas ele não podia fazer nada,até que as luzes da sirene do carro de policia iluminou a sala onde estava esse garoto e alguém chegou na porta, era um policial, esse policial pegou a criança nos braços e a colocou na viatura, então tudo desmoronou.
     -Põe tudo para fora jovem.
     Em um instante voltei para o mundo real.
     -Eu farei qualquer coisa para que possa ajudá-lo, então me aponte o caminho que eu irei até eles acabar um por um.
     -Não é tão simples.
     -Como não é simples, você mesmo disse que conhece minha historia.
     -De fato, você é uma lenda viva, porem essa lenda vive apenas na cabeça dos seus inimigos, pois em pratica você não passa de um velho bêbado.
     -Velho? Eu tirei a barba e cortei o cabelo! Velho eu estava ontem.
     -Ontem?
     -Sim ontem, quando seus capangas apareceram... Por quê? Isso não foi ontem?
Eu estou em coma a alguns dias! É isso eu bebi demais e tive um coma alcoólico!
     -Não, só queria ver sua reação mesmo.
     -Engraçadão você, hein? Agora que você terminou suas piadas, o que devo fazer então? Você por acaso vai me por para pintar cercas, enquanto subconscientemente eu aprendo Karate?
     -Teoricamente sim.
     -O que?
     -Vamos treinar-lo, mas não dessa maneira, vamos treinar-lo como os samurais são treinados.
     -Otimo e começamos isso quando?
     -Agora mesmo.
     Eu vi que ele estava rindo, mas não entendia o motivo, só depois que levei uma paulada na cabeça que entendi, fiquei com os sentidos um pouco desnorteados. O velho se ergueu da almofada onde estava e caminhou até o centro do tatame.
     -Você e eu iremos lutar!
     -Deveria ter avisado isso para o seu capanga, antes dele ter me acertado com um pedaço de madeira na cabeça.
     -Menos papo mais luta!
     Aquele velho estava se achando todo metido, por orgulho me coloquei em pé e fui correndo em direção a ele, era claro que seria fácil bater nele, não passava nada mais do que um velho. Com certeza Jason, com certeza...
     O supostamente velho tinha reflexos como um gato, antes mesmo de conseguir pensar no que iria fazer ele já me acertava, durante horas fiquei apanhando, socos, chutes, sangue suor, mal conseguia acompanhar os movimentos dele.
     -Seja lá o que você queria, você conseguiu. - Falei isso para ver se apanhava menos.
     -Errado Jason-san, eu não consegui o que queria, talvez não hoje, mas iremos tentar até conseguir.
     -E o que você quer então?
     -Eu já disse, estamos aqui para treinar-lo como um samurai! Levem ele devolta para o seu cômodo.
     Os dois brutamontes me levaram para onde eu iria dormir enquanto treinava, era um local que me deixava muito relaxado, sendo que era apenas um quarto com paredes brancas, um chão de madeira e um colchão posicionado metricamente no centro dele.
     Tinha poucas expectativas para o colchão, mas na hora que me joguei nele era como o paraíso, nunca havia dormido tão bem na vida e foi como se todos os meus pesadelos tivessem ido embora.
     Pela manhã um sino tocou, era o "despertador do samurai", foi assim que o chamei pois o sino foi apenas instalado para me acordar, ao abrir a porta do meu quarto fui surpreendido por um ataque do velhote.
     -Bom dia Jason.
     -Bom dia pro senhor também.
     -Eu teria um dia melhor se você tivesse me contra atacado ou coisa do gênero, não é um bom dia para mim se meu aprendiz não pode desviar de um simples golpe, vamos se arrume, em cinco minutos esteja no tatame.
     Ele saiu caminhando e eu estava lá no chão com nariz sangrando tentando entender o que estava acontecendo com a minha vida. Um dia estava com dor de cabeça e matei uns viciados, no dia seguinte estava fugindo de balas em um estacionamento, em outro estava fugindo de todos que conhecia e naquele momento eu estava simplesmente, vivendo, sem preocupação nenhuma, quase como se estivesse livre pela a primeira vez, mas estava longe disso, eu sabia que não iria acabar até acabar com o ultimo cartel da cidade, então me ergui e fui até o tatame e me posicionei em modo de luta.
     -Bom você veio apanhar mais?
     -Não eu vim aqui para treinar.
     Ali foi onde realmente os treinos começaram, foi quando me motivei a treinar e o velhote percebeu isso, logo os treinamentos se tornaram mais árduos, em todo o momento era treinamento, sempre me atacavam, no escuro, dormindo, em grupo, sozinhos, armados, desarmados, meus sensos estavam ficando afiados como a do meu mestre, por um longo mês eu treinei, com um objetivo em mente, me tornar forte o suficiente para derrotar o mundo do crime.
     Um dia me acordei e foi estranho pois não tinha ninguém no quarto já me esperando para me bater, abri a porta lentamente, desconfiado, caminhei até o tatame onde estava o meu mestre, ele estava sentado como na primeira vez que eu vi ele.
     -Mestre, vamos treinar!
     -Nada mais de treinos, esse é seu teste final
     - O que?
     Meia dúzia de capangas dele apareceram, todos armados com armas brancas, vieram em minha direção para me atacar. Tentei lutar um por um, mas a luta não era tão justa, eles viam tudo ao mesmo tempo, o velho queria me ensinar que em uma batalha real meus inimigos não iriam esperar eu derrotar um por um como nos filmes. Foi uma batalha incrivelmente árdua, mas consegui derrotá-los sem ferir alguém gravemente, até que sobrou apenas o mestre.
     Ele se colocou em pé e virou-se em minha direção, eu fui fazer o comprimento de combate, mas o velho já veio me atacando direto sem dó nem piedade. Fiz o meu melhor para desviar dos golpes dele, gostaria de realmente saber se ele estava pegando leve ou esse mês de treinamento estava se pagando, pois era moleza desviar dos golpes dele e no tempo certo mudei minha estratégia de defensiva e fui direto para a ofensiva. Ele conseguiu desviar dos meus golpes também, afinal, ele era o meu mestre, mas sempre chega uma hora onde o aprendiz supera o seu mestre e por conta disso eu lhe acertei, um simples, porem poderoso golpe bem em seu estomago, ele caiu, me preocupei que tivesse exagerado, ele se ergueu, abriu um grande sorriso e colocou a mão no meu ombro e disse:
     -Você está pronto.
     Eu fiquei tão feliz, isso significava que meu treinamento havia acabado e eu estava pronto para exterminar o cartel, o velho achava que eu estava distraído e tentou me acerta um golpe também no estomago, mas no nível de treinamento que tive, eu estava pronto até para desviar de balas, ok, talvez eu esteja exagerando, mas eu estava pronto, então segurei o punho dele com a minha mão esquerda e dei um sorriso descarado.
     -Você está realmente pronto, Jason Mann.
     O monge que me acordou quando eu cheguei a primeira vez ali, me trouxe cha e eu bebi, em sequencia trouxeram novas roupas para mim, quando eu cheguei era o final do inverno e também do ano, mas como eles não comemoraram acabei esquecendo, afinal estava apenas concentrado em treinar, a roupa era um terno totalmente preto, calça, paletó, camisa, gravata, até mesmo as meias eram pretas. Vestia o terno e olhava para mim mesmo no espelho, devia ter perdido pelo menos uns vinte quilogramas, meu corpo estava mais disposto a perseguir criminosos, mas não era isso que me preocupava, era com aquela pessoa que me encarava no espelho, não parecia um policial ou ex-policial, parecia apenas um assassino profissional.
     Despedi-me do meu mestre, agradeci pelo o treinamento e pedi para que ele me indicasse onde estaria o meu alvo, ele deu todos os detalhes necessários para eu concluir minha missão. O meu objetivo estava em um prédio fortemente guardado por vários criminosos armados. Além do treinamento ganhei também um carro.
     Dirigi até o prédio, estacionei na garagem mesmo, eu ia sair, mas foi ai que tive um crise de idéias, como as coisas poderiam ter acontecido diferentes, caso eu tivesse ido para casa junto ao Franco, caso eu não tivesse conhecido a Karen ou no caso onde eu tivesse feito ela desistir do vicio, um onde eu teria me tornado um pai de família. Liguei o radio e deixei a musica tocar por uma meia hora, inclinei o banco do carro, cruzei os braços por detrás da cabeça e fiquei pensando, estava prestes a fazer uma missão que me levaria para morte com cem por cento de certeza, eu não tinha medo disso, o que eu realmente tinha medo era se tudo tinha valido a pena.
     Tanto sofrimento e dor, que eu trousse para aqueles que eram relacionados a mim, logo chegaria ao fim e eu iria levar o quanto eu pudesse de pessoas más para o inferno junto comigo, então dei partida no carro, sai da garagem derrapando e decidi entrar com tudo pela a porta da frente que era de vidro, na entrada consegui atropelar pelo menos uns quatros capangas, no andar térreo ainda havia mais cinco deles, alguns se mobilizaram até o carro e atiraram sem dó, o velhote realmente tinha pensado em tudo, pois o carro era blindado.
     No carro havia um fuzil, um colete, uma escopeta e duas pistolas automáticas, demorei um pouco a me arrumar para o baile, na época de escola eu era sempre o que chamava atenção nas festas, porem naquele momento estava meio tonto com o impacto, mas quando abri a porta do carro, eu sabia que a festa seria intensa. Usei a porta como um tipo de escudo para atirar cegamente nos meus inimigos, quando eles pararam de atirar, então eu ergui um pouco a cabeça para ver o que tinha acontecido, estavam todos mortos.
     Tinha dois caminhos,eu poderia escolher as escadas onde seria mais fácil de gastar o meu vigor, subindo todos aqueles degraus até chegar no décimo quinto andar, mas também havia menos chance de eu ser pego de supressa, ou eu poderia escolher o caminho mais arriscado a ser chacinado, que é claro que estava falando do elevador, ele me levaria, sem que eu precisasse me cansar, até o andar desejado , o problema desse caminho era que ele era totalmente feito de vidro, seria um alvo fácil.
     As chances de se eu subisse pela as escadas era que o meu alvo poderia escapar tranquilamente pelo o elevado, mas se eu pegasse o elevador ele poderia fugir pela as escadas e ainda me matar, então atirei no painel e no motor do elevador e comecei a minha ascensão ao topo usando a escada.
     Sentia o cheiro de armação ou coisa parecida, pois os andares estavam levemente protegidos, totalmente ao contrario do que me foi dito, foi suave subir os andares, tirando o fato das escadas e de ter que carregar as armas.
     Após umas trocas de tiros, sangue e suor, não agüentava mais subir escadas então fui olhar a parede e finalmente eu havia chegado no ultimo andar. Verifiquei se todas as minhas armas estavam carregadas, para não ter o perigo de eu puxar o gatilho antes e acabar sendo baleado.
     O motivo de que os outros andares estavam levemente protegidos era porque eles estavam protegendo o ultimo andar, não sei se foi burrice do velho não ter passado essa informação, ou eles começaram a proteger aquele andar quando eu decidi entrar com um carro pela a porta da frente.
     Tanto faz, eu estava lá para concluir meu objetivo e nada ou alguém poderia me impedir naquele momento. Foi quando eu percebi a estupidez que havia cometido, porque eu não cortei a alimentação do prédio? Mas então contra pus meu argumento, pois pensei também que eles poderiam e teriam outros meios de conseguir energia elétrica. De qualquer forma não tinha como eu descer todos os quinze andares apenas para descobrir isso então tive que improvisar.
     Pegava um de refém daqui, me escondia ali, atirava lá, essas coisas. Até que um gênio teve a idéia de lançar uma granada em um local fechado, eu me pergunto qual é o animal que faz isso, a pessoa esta em local fechado e pensa, "Já que não consegui matá-lo com tiros, que tal se eu destruir a porcaria do local todo, usando essa granada, que afinal eu trago apenas para essas ocasiões". Com as habilidades adquiridas em meu treinamento de um mês, eu peguei a granada e joguei na direção deles e *BUM* estavam todos despedaçados e mortos, graças a um ser de inteligência superior que saiu de casa pensando em levar granadas para jogar em alguém.
     Fui garanti que todos estavam realmente mortos, não queria que uma metade de uma pessoa atirasse em mim pelas costa, após conferir os cadáveres fui até a única porta daquele andar, eu a abri com o cano da arma e entrei em uma sala cheia de monitores. No centro estava, o ultimo rei do crime, ele se virou em sua cadeira rotatória, achando que era algum tipo de filme de espião, nunca tinha visto ele antes, parecia da máfia italiana ou algo do gênero.
     -Bem senhor Jason é uma honra conhecê-lo, o homem que acabou com uma grande parte do mundo do crime. Diga-me, por que você esta trabalhando para o maldito Chen?
     Eu até iria responder o motivo, o motivo era que ele me treinou e também porque ele era o ultimo rei do crime, mas antes que pudesse fazer a minha fala hollywoodiana uma bala atravessou o crânio dele e o sangue dele agora estava por todo o meu terno. Eu fiquei sem reação pois eu nunca espero que alguém ira morrer até eu puxar o gatilho, mas lá estava mais uma supressa para a lista de novidades.
     Em um mero segundo depois um clarão e uma bala atravessando meu pulmão, cai no chão me afogando no meu próprio sangue, me rastejei até o elevador e desci para o térreo, quando as portas do elevador abriram Chen estava na minha frente.
     -São apenas negócios senhor Mann.
     Ele então chamou um dos seus capangas para terminarem o serviço, fechei os meus olhos e pensei, todos esses anos me atirei de cabeça nas coisas esperando pelo o dia que poderia ver a Karen novamente, finalmente a hora havia chegado.


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Outros títulos do mesmo autor

Roteiros Assassino da Meia Noite Miguel Proença de Araújo
Romance Fim sem esperança Miguel Proença de Araújo


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