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O Feitiço do Amor
johnmaker


Sou nau, caravela descabelada,
Abandonada no deserto,
Aguardo teu sopro de vida
quando não estás por perto,
Em meu coração que se consome
no pó das areias do tempo,
Quando estava, decerto, próximo de encontrá-la,
Sabendo que o imperfeito é essa benção que temo,
É a dor que trago no peito.

Por ti, fecho os olhos à deriva,
Sem ter direito ao sossegado balanço do teu oceano.
A compreensão de pressenti-la me anima,
Quando observo distante na torre de vigia,
Surgir acima do horizonte em teus panos sobre as águas,
Antes que o sol se ponha,
E a noite seja como o pássaro breve
que nem a um pio se atreve,
Na fascinação de ocultar aquilo com o qual tu sonha,
em porções esquadrinhadas , para fazer a lua nascer.
É a nossa maré salgada
refletida em espelhos d’água,
A se esconder numa ilusão atrás de nuvens descabidas.

Ave facínora que a tudo vê...
Eu sou corpo conclave de uma embarcação.
A nave que parte destinada a um milagre,
Quando sopram os ventos nos mastros sem a vela,
Evocando a tua canção,
E pelos buracos tortos do tronco oco,
Assovia as notas ressoando melodias em conjunção,
Separando os mares, em alegria e solidão.
Onde desenho claves de sol no oceano,
Do sempre e eterno navegar sob a tua brisa,
De palavras entornando improvisadas em teus poemas.

Compreenda-me, um dia fui perdão,
Hoje não sou nada, mas não sou vazio,
e voo qual peixe brincando sutilmente sobre as ondas,
Em que tu existe,
Ainda que a tenha triste,
Pois sabe que agora não é hora de partir,
E me deixas,
Adentrando no útero da alma que não vai me parir
em outro sonho,
Sobre o tempo que escorre cativo,
Do qual sou lascivo
como o recital tristonho de um tormento
ou um vendaval intempestivo...
Até que me apanho olhando em teus olhos,.
Debaixo das muralhas constantes desse mar,
Que me bate em ondas furiosas, a me afundar .
Mas sempre gloriosa tu sobrevive,
E vem salvar-me com a placidez de seus olhos.

Tem algo de castanho nos seus olhos,
E algo do verde em que me deito,
( como folhas de macieira espalhadas pelo chão)
A orla brejeira das frutas doces e vermelhas,
Em que aceito a tua saudade
e me desfolho.
Sou levado qual teus cabelos ensandecidos e compridos,
Fazem desenhos contorcidos
rebelando-se em minha mente.
Tu me parece o leito de um rio nu,
A linda visão onde te deitas,
Banhando-se indecente a beira do mar,
Quando o rio deságua puro.

E no encontro das águas,
Contém a vazante forma desse estranho jeito de me falar,
Sem nada dizer,
E apenas correr e fluir para o horizonte,
Brindando a alegria com o prazer de ser a tua pessoa
e fugir encantada para o meu verso,
Que ressoa no labirinto de um sorriso, que expresso,
Como ondas de beijos a sobrenadar em poesia,
na constância do mesmo interino mar
a exercitar corrosão do meu peito franzino,
a se materializar com o desgaste feito
no desejo da minha alma, até me matar de paixão,

Como se fosses tu as pedras e quisesses me dilacerar,
Então me tornaria espuma, pronto a entornar-me solícito,
Vertendo-me do mar para a sua boca,
Da sua boca para o meu amar que é grande,
Como a saciedade é a louca,
de voar nessa vontade e ser a brisa
percorrendo a distancia entre nós,
que, no fim, se torna tão pouca,
Sendo apenas uma noite que marulha,
Ecoando no ar, na eletricidade da fagulha.
Trazendo tua instancia salgada,
e o relâmpago que se faz,
Batizado em teu peito amada, como um raio,
Amparado em tua razão,
descarregando em vão tua energia e o seu amor
em poesia levada pelos peixinhos do mar...



https://www.youtube.com/watch?v=CvFH_6DNRCY


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