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Não Tenho Mais O Céu
johnmaker


A agonia repousou em meu peito melodioso,
Como se fosse o inverno tenebroso
que me envolve,
Não tenho mais o céu,
nem o indicio de algo que soprava em tua alma;
Qual pólen que se dissolve,
flutuando nas manhãs ensolaradas;
Sua língua de fogo
apenas sussurrou em meus ouvidos e foi embora,
Avivando um cântico triste
que ouvi de sua boca sedosa,

Misturando-se às nuvens de poeira
que se postam ao entardecer
Nos dias quentes rendidos a monotonia,
Que ditaram as palavras lidas em seus olhos...

Aquelas que começavam a ser escritas
em meu interior
E moviam moinhos de sonhos,
Com seus dedos de poema a segurar minhas mãos
em seu faustoso silencio,
Fazendo-me planar como se a noite tivesse asas
E coubesse em mim todo seu amor...

Quis parecer que numa única noite
o inverno chegou
E o fogo devorador de quem tanto amou
trouxe apenas lágrimas aos olhos,
Ardeu como o jogo da chama incandescente
Que dançava displicente em meu cerne,
minhas profundezas,

Sentindo as incertezas de algo que se perdeu
Quando suas mãos se fecharam
E seu punho cerrou-se,
na mesma esperança das flores diuturnas...

Por pouco tempo
fez-me esquecer de que havia estrelas
Despercebidas numa nevoa fina e insistente
Quando em algum dia frio
a geada seduziu a grama,
Enchendo repentinamente de branco meu coração,
Com um grande lençol denso e vazio,
Desdobrado na cama
a sobrepor o meu espírito,
Antes encoberto, tão-somente,
pela rudeza de sua compaixão.

Compreendi que a minha ilusão
apenas se assentava
No colo arrependido dos montes
boleados pela distancia,
Esmerada em perder-se no horizonte
Sobre ondas de nuvens corriqueiras...

Dispersando-se como labaredas mudas e douradas quando o sol se foi,
A rugir eternamente,
pelo medo demasiado, como um leão em fuga,
Temendo ser ferido por este mesmo céu,
infinitamente triste e desamparado,
Que se enruga a cada mudança
que o vento faz no seu verão.

Esqueço-te,
como um reflexo no lago se desfaz,
Na paisagem generosa que me cede o tempo,
Porém, sei que em cada canto desta vida
uma brisa perdida seca o teu pranto,
Transformando-o no orvalho
convalescido pela andança do meu ocaso,
Onde Deus me cobre com um véu envelhecido.
E de noite,
pelos furos da renda puída,
Às vezes roída, dolorida,
Tua luz vem me preencher de esperança...



https://www.youtube.com/watch?v=k9_WMHWjz_4


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