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Começa a guerra, do tolo a palavra
E só na sábia palavra se encerra
Calem-se os sábios e os poetas
E o que resta é o caos sobre a terra
Entre mil canhões, lado a lado postados,
E solitária pena na noite quieta,
Ousaria dizer, não domina o soldado
Arma mais poderosa que a do poeta
Quem, destemido valente, responda de pronto
Com fogo, ante um outro ou uma dezena,
Ver-se-á amedrontado cessado o confronto,
À marcê da palavra, que absolve ou condena
De um soldado, o berro da arma outro cala
Vitorioso, traz grave ferida aberta
Noutro corpo aprisiona a própria alma, a bala
Do poeta, a palavra a alma liberta
Mas, se fere a carne o fuzil, e de que tal ferida
Não haveria mais grave enfermidade,
Não toca o corpo a palavra que fere a vida,
Mas faz sangrar na eternidade
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